História do relógio de pulso

Criado por Louis Cartier, nasceu no início de 900 o primeiro relógio de pulso moderno, uma autêntica revolução no mundo da relojoaria e um marco miliário na história do relógio de pulso.
Com certeza tudo devia ter parecido possível na Paris efervescente da Belle Époque. Em particular, ao “rei dos joalheiros e joalheiro dos reis” Louis Cartier, lançado para a conquista do mundo de luxo, mas também ao seu excêntrico amigo Alberto Santos Dumont, um brasileiro rico que morava no número 150 na Champs-Elysées, quando não estava em voo caçando um novo recorde de velocidade!

Um relógio Santos Cartier do 1913

Um dos primeiros relógios Santos realizados pela Maison Cartier: é feito de platina e remonta a 1913.

Os acontecimentos foram mais ou menos assim: Alberto Santos Dumont, já cliente e amigo de Louis Cartier, apresentou-lhe uma questão muito pessoal, mas estreitamente relacionada à navegação aérea, ou seja a consulta do relógio em voo para controlar o tempo e a velocidade.
Como você sabe, na época por “relógio” entendia a clássica “cebola” de bolso: procurá-lo no meio de um voo em alta velocidade não tinha nada em comum com o gesto elegante de um aristocrata que tira do bolso o seu relógio precioso!
Dito, feito: Louis Cartier criou para ele um relógio que, com poucas diferenças, ainda hoje é uma das peças mais preciosas da coleção Cartier: o relógio de pulso Santos.

Tudo isso aconteceu entre 1904 e 1907. Esse relógio feito para o piloto brasileiro entrou para a história, junto com seu recorde de velocidade. Mas não porque ele realmente foi o primeiro relógio de pulso: este primado parece pertencer a um Patek Philippe feminino, criados para a condessa Kocevicz por volta de 1868. A história do relógio de pulso continua com os modelos fabricados pela Girard-Perregaux para a marinha alemã em 1880.
O modelo de Cartier Santos, contudo, é um dos primeiros exemplos de relógio moderno: um relógio que foi concebido para ser usado no pulso e, para esse efeito, com detalhadas características técnicas e estéticas, ao contrário dos outros modelos contemporâneos ou de épocas antecedentes, que aparecem como adaptações dos antigos relógios de bolso para as novas exigências de uso, ao invés de serem modelos originais no design e na concepção.

Apesar das incertezas do início, e da resistência de quem, já em pleno século XX, considerava um hábito pouco masculino usar um relógio no pulso como se fosse uma pulseira, o momento era propício para desencadear uma revolução no mundo da relogiaria, a tal ponto de mudar os costumes e hábitos que tinham permanecido imóveis por séculos.

O relógio de pulso, um sucesso extraordinário

Nasce o relógio de pulso, enquanto a Europa Ocidental era perturbada pela Primeira Guerra Mundial. O novo show dos primeiros tanques utilizados pelos ingleses na Batalha de Somme, inspiraram Louis Cartier para criar um outro relógio famoso: foi chamado “Tank”, o nome pelo qual os soldados tinham renomeado aqueles estranhos monstros de guerra. Era o ano de 1916, e depois da guerra estavam prontos os primeixemplos que se tornariam uma verdadeira dinastia.

[vitrine]relógios de pulso[/vitrine]

Mesmo não sendo a musa inspiradora, a guerra teve a sua importância na história do relógio de pulso e destacou a necessidade de ter um relógio confiável, durável e, acima de tudo, prático de consultar: prerrogativa esta, que claramente não pertencia à antiga “cebola” de bolso.
Os maiores relojoeiros da época aceitaram o desafio: existia a necessidade de trabalhar sobre os movimentos, reprojetando as dimenções e o sistema de carregamento, por exemplo, ou sobre a caixa, mais exposta ao pó e à humidade, para não mencionar os choques. E depois havia a estética: um detalhe nada desprezível, considerando a visibilidade dos novos modelos!

O período entre as duas guerras mundiais

Levaria muito tempo para contar o que e quanto progresso fez a relogiaria no período entre as duas guerras. Basta dizer que já nos anos vinte foi praticamente resolvido o problema da impermeabilidade da caixa. Foi a Rolex, que em 1927 lançou a caixa chamada “oyster” (ostra), com testemunhol que garantiu uma boa cobertura da imprensa da época. A travessia de mergulho do Canal Inglês pelo inglês Mercedes Gleitze com seu Rolex Oyster no pulso, que naturalmente chegou no outro lado do Canal funcionando perfeitamente após 15 horas e 15 minutos de imersão, provocou a maior sensação!

[vitrine]relógios de pulso[/vitrine]

Enquanto isso, em 1924, foi patenteado o sistema de carregamento automático de John Harwood, e em 1931, a Rolex lançou o movimento “perpetual” (perpétuo). Os cronógrafos foram equipados com um segundo botão para voltar ao zero, enquanto foram produzidos os primeiros relógios World Time.

O relógio Jaeger-LeCoultre Reverso do 1931

O relógio de pulso Reverso, lançado por Jaeger-LeCoultre em 1931.

Nos anos trinta a Longines lançou o modelo Lindbergh Hour Angle, um importante instrumento de bordo cuja concepção participou ativamente o mesmo Charles Lindbergh, a estrela do aclamado primeiro voo transatlântico sem escalas entre Paris e Nova York, a bordo do monoplano “Espírito de St. Louis”, em 33 horas e 32 minutos. No 1931 Jaeger-LeCoultre lançou o Reverso, um dos modelos que teve mais sucesso em toda a história dos relógios de pulso.

Mas a guerra estava novamente perto. E desta vez os relógios para fins militares foram muitos, tanto tecnicamente quanto esteticamente muito diferentes daqueles da Primeira Guerra Mundial. O compromisso envolveu praticamente todas as grandes casas da relojoaria mundial. Para algumas das novas exigências impuseram mudanças nos padrões de produção, para outras, no entanto, escolhidas como fornecedores oficiais dos corpos militares do Estado, se abriram novas oportunidades: veja por exemplo Breguet, cujos relógios foram adotados pela aviação francesa, e Officine Panerai, fornecedor oficial da Marinha italiana.
Logo após a segunda Guerra Mundial foram produzidos os primeiros modelos de relógios de pulso, criados pela Omega em 1947, o Calibre 30I.

O relógio de pulso e a aventura lunar

Após os compromissos de guerra, o relógio de pulso conheceu, entre os anos 40 e os anos 50, uma época muito feliz.
Deixados de lado as incertezas e os temores de guerra, o relógio de pulso foi objeto de um verdadeiro triunfo da criatividade, enquanto de delineavam claramente dois grandes setores de produção: por um lado a relojaria esportiva, engajada em desempenhos cada vez mais sofisticados e exigentes, por outro teve o triunfo da relojaria mais elegante, o relógio de pulso virou um objeto de luxo com as características de um status-symbol.

O relógio Omega Speedmaster Moonwatch

O relógio Omega Speedmaster Moonwatch, uma reprodução fiel do relógio usado por Neil Armstrong na histórica missão lunar de 1969.

Para o mundo dos relógios foi uma era de relativa paz, aparentemente não perturbada pelas primeiras experiências no campo dos movimentos eletrônicos, quando um grande evento catalisou a atenção de todo o mundo. Desta vez não foi a guerra, mas a extraordinária aventura do homem no espaço: o sonho perseguido há séculos e que, como que por magia, tornou-se uma realidade, um evento alimentado pelas imagens ao vivo, que manteve colados em frente das telas da TV centenas de milhão de pessoas. Era 20 de julho de 1969 quando o astronauta Neil Armstrong pisou a lua, junto com ele foram Edwin Aldrin e Michael Collins, e ao seu pulso o lendário Omega Speedmaster, o excelente cronógrafo manual com três contadores que, apesar de outros candidatos com tecnologia mais sofisticada para o “passeio” histórico na lua, tinha-se demonstrado a extraordinária fiabilidade e precisão, tornando-se o relógio oficial da missão histórica de 1969 e das subsequentes missões da NASA.

O advento do quartzo e o renascimento da relojoaria mecânica

A conquista do ar não colocou, no entanto, a relojoaria tradicional longe dos mais insidiosos “ataques da terra”. Como o que, nos anos 70, foi lançado pela relojoaria japonesa através dos relógio de quartzo, uma tecnologia mais precisa e mais barata do que os antigos movimentos mecânicos.

O relógio Royal Oak pela Audemars Piguet

A versão atual do Royal Oak pela Audemars Piguet permaneceu praticamente inalterada em relação ao modelo introduzido pela primeira vez em 1972.

Os produtores suíços acusaram seriamente o golpe, e muitos deles deixaram de existir ou adaptaram a sua produção às novas tendências. Não foi assim para alguns grandes nomes, firmemente convencidos de um futuro ainda rico de possibilidades para a relojoaria mecânica. Se estamos aqui hoje para falar sobre o último extraordinário século da relojoaria, é graças à sua determinação de fazer ainda melhor do que no passado ou a coragem de propor algo verdadeiramente inovador. Surge neste contexto, o Royal Oak pela Audemars Piguet, datado 1972, oficialmente reconhecido como o primeiro relógio de luxo em aço inoxidável. E não vamos esquecer da Swatch, a brilhante resposta suíça aos preços altamente competitivos da relojaria oriental, oferece rigorosamente relógios fabricados na Suíça a preços acessíveis, escrevendo um novo capítulo na história dos relógios de pulso.

Talvez hoje podemos dizer com confiança que, como no passado, ainda na década de setenta e oitenta, a relojaria tem sido capaz de tirar algo de bom com os eventos que pareciam dominá-la, graças à consciência do seu valor e da sua identidade. Sobre esse conhecimento, que pertence não somente às grandes marcas da relojoaria, mas também, e sobretudo, ao público, tem come base o grande renascimento da relojoaria no final do milênio. No mundo da relojoaria tem o direito de cidadania seja os relógios mecânicos que aqueles ao quartzo, desde que você não se esqueça de que o relógio não é simplesmente uma ferramenta para medir o tempo, mas um objeto rico de história e cultura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *